04 julho 2012

O colchão, o sofá e três doutor

Francisca não é como a gente, Francisca é bicho sem mato,
Dormia mais quatro, num quadrado sem quarto
E lá fazia de tudo. Comida, filho, costura, cafuné...
Foi pai, é mãe, três filho e tudo que for preciso.
Vez no dia, arruma um tempo para sonhar, e senta no sofá
Para assistir a mesma despedida da tal mocinha com o seu Marcelo Jarará.

Aí, um dia, o metro chegou. Francisca rezou de dia e de noite, rezou e rezou,
Mas mesmo assim o metro passou. Abriu-se tudo e Francisca sobrou.
E com um dinheiro miado, se mudou com mola e colchão para o buraco do irmão.
Agora é Francisca e mais sete, e a vida mão parou não, toda noite o dia veio,
E se ao avesso, com terço ou sem terço, Francisca não reclamou. Só o Metrofor parou.
Quem ensinou foi a vida, a bandida, a mesma que casou o seu Marcelo doutor.

Como eu ia dizendo...
Francisca não é como a gente, Francisca é que é gente!

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