Aquele sapo que comi deu dor
de barriga.
O livro que cuspi, uma baita
fadiga.
Aquela rosa que plantei
cresceu com erva daninha
e meus olhos não murcharam
tristes.
Nada deu errado, nada se
perdeu do certo,
pois de certa forma, todos os
projetos que vivi
foram construídos em cima de
sonhos.
Sonhos que desconstruí e
reconstruí
até modelá-los na matéria,
mas não moderá-los.
Para os meninos e meninas que
não sonham mais,
ofereço metade das minhas
fantasias
e um sorriso que denuncia
minha alegria pela vida.
E uma verdade: às vezes
sorrio calado,
às vezes até me divirto
sozinho.
Mas é quando estou perto de
pessoas
que ainda se alimentam de
sonhos,
mesmo vendo-os crescer tortos
e quebradiços,
que me sinto humano.
Eu não sou o tipo de homem
que troca de lixo
como quem troca suas cuecas sujas,
eu só jogo algo fora de fato,
quando eu não sirvo mais para
ela.
Mas é saudável reciclar
ideias.

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