09 janeiro 2014

MARIA DAS DORES



Aquele sapo que comi deu dor de barriga.
O livro que cuspi, uma baita fadiga.
Aquela rosa que plantei cresceu com erva daninha
e meus olhos não murcharam tristes.
Nada deu errado, nada se perdeu do certo,
pois de certa forma, todos os projetos que vivi
foram construídos em cima de sonhos.
Sonhos que desconstruí e reconstruí
até modelá-los na matéria, mas não moderá-los.

Para os meninos e meninas que não sonham mais,
ofereço metade das minhas fantasias
e um sorriso que denuncia minha alegria pela vida.
E uma verdade: às vezes sorrio calado,
às vezes até me divirto sozinho.
Mas é quando estou perto de pessoas
que ainda se alimentam de sonhos,
mesmo vendo-os crescer tortos e quebradiços,
que me sinto humano.

Eu não sou o tipo de homem que troca de lixo
 como quem troca suas cuecas sujas,
eu só jogo algo fora de fato,
quando eu não sirvo mais para ela.

Mas é saudável reciclar ideias.

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