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09 janeiro 2014

PASSAGEIRO DA ILUSÃO



Todos os dias tenho os sonhos mais loucos e absurdos enquanto durmo, e não sei se, por serem reais demais ou por ter perdido o meu senso de realidade, eles sempre arriscam virar lembranças de uma existência que não vivi.
Para que entendam bem o que falo, vou figurar e mastigar-lhes minha insanidade. Certa vez sonhei, ou tento me convencer ter sido um, que derrubei por acidente meu cachorro da janela do quarto andar. Vejo com perfeição na minha memória, o momento que pequei o interfone e liguei para portaria perguntando se ele estava vivo, mas ninguém vira o cão cair. Quando desci, ele estava serelepe e correndo marcando território. Mas a aflição que senti tentando lhe agarrar uma patinha e depois vê-lo escapando das minhas mãos, se fazendo fruto das leis da gravidade... Dá um desespero só de lembrar.
Agora analisando bem, se foi fantasia era um pesadelo, porém ainda não consigo mesmo me convencer que isso não aconteceu. E por via das dúvidas, nunca mais levei o cachorro para sua diversão matinal na janela.
Outra situação bem curiosa, e mais leve, graças aos deuses, foi a vez que guardei 20 reais na gaveta da cômoda e nunca achei. Quando levantei fui procurar o dinheiro e não estava lá. Nesse caso, eu tenho mais consciência que foi um devaneio, pois dentro do meu arquivo de memórias uma folha no capítulo deste dia fiz: você acordou no momento que guardou o dinheiro.
Até hoje quando abro a gaveta olho para ver se o dinheiro  não está em um cantinho escondido. Eu sei, é coisa de gente louca mesmo.
Acontece pois que, dentre tantas dessas excentricidades que construo enquanto durmo, nada mexeu mais comigo que o sonho do rapaz andando no meio da multidão. Quando tinha uns 14 anos o vi pela primeira vez e nunca duvidei que era uma ilusão noturna. Tinha cara de sonho mesmo. Até o dia que o encontrei pessoalmente na vida real... Foi assustador.
Na ficção do imagético, foram umas quatro ou cinco vezes que me perturbou essa confluência. Via-o sempre no meio de uma multidão colossal, ele sorria e começava a fugir. E desenfreadamente eu começava a persegui-lo até perdê-lo de vista.
Não queiram imaginar a agonia que sentia depois de acordar e colocar os pés no chão. Nunca tive filhos, e se tiver não serei mãe, mas imagino ser a mesma sensação de uma que perde sua ovelha negra para o mundo.
Foi por isso que citei o sonho do cachorro, para fazer um paralelo das emoções. A aflição de não conseguir pegá-lo no ombro e perguntar porque estava correndo é mil vezes maior do que não ter segurado a pata do cachorro.
Porém, voltando, cerca de dois anos atrás, em um primeiro dia de aula e durante uma apresentação de turma, no giro da roda de apresentação, encontrei-o parado pela primeira vez e anda me encarando a retina.
Foi assustador! Levantei e saí da sala. Foi surreal demais para minha cabeça de vento. Um choque, sem eletricidade e sem poder acordar de susto. Era a mesma pessoa, sem tirar nem por, mas feito de gente.
Eu nunca contei isso para Demétrius. E foi a primeira vez que desejei mesmo estar falho das ideias ou da vida. Mas não estava... Tenho total noção e equilíbrio sobre tudo o que aconteceu.
Talvez por isso me apaixonei por ele. E quando me disse, com o mesmo sorriso sonâmbulo, que não podíamos ficar juntos e um dia iria entender o porquê, não consegui mais dormir.
Se continuar essa história, farei deste um conto literário um relato biográfico e tenho certeza que vou acabar expondo toda a minha fragilidade mental para o caro leitor. Então, por favor, não me julgue e não me tome como insano, pois veja que isso eu já faço. Pense que sou normal, por caridade.
Quando voltei para casa naquele dia, início das aulas de teatro, decidi que nunca mais iria sonhar. E realmente acho que nem mais dormi, ou não mais acordei e não percebi... Que diferença faz? Estou a mais de 800 dias com os olhos cansados por ele, e um ‘A’ ou ‘B’ a mais não vai mudar nada.
- Lidiane – isso hoje, a pouco lá no bar Birosca Verde – Traz um burrinho e um limão, faz favor. Estou a quase um século de dias sem ser feliz.
- Demétrius saiu a pouco, falou que ia trabalhar amanhã cedo e não poderia te esperar...
- Ele acha que não poderia, Lidiane. Mas ele pode tudo e nem ficou sabendo.
- Fala assim porque não trabalha.
- Aí é que você se engana, linda dama. Posso ter chegado bêbado, mas ainda estou batendo o ponto. Ando atrás da minha inspiração.
- Pois ela já foi para casa faz tempo e breve quero fechar o bar – e me falou sorrindo com a gentileza que só ela tem – Você vai levar horas para acabar essa garrafa sozinho, sabe disso...
- Pois saiba que ele não é a única inspiração para minha literatura, não. Os frutos sempre são doces e maduros para aqueles que não comem da maçã.
- Trago só uma dose mesmo?
- Dupla pelo menos.
- Sabe o que te conto mais, Lide? Ele é filho de Lôran. É sério! É o sétimo herdeiro do primeiro casamento do mago azul.
- Não diga – rindo como se eu estivesse falando algo muito absurdo.
- Da estrela de Domenico I, fica ao lado da lua de Vênus. Lôran mora lá.
- E é ele quem vai te levar para casa? Olhe o estado que você está!
- Eu estou bem demais...
- Vai ficar louco, menino! Para com isso.
- Já sou, Lide-Lide. Ou ainda tinha dúvidas?
- Aparentava bem menos.
- Pois Lorân está de sacanagem comigo, ela me prometeu a mão do seu príncipe e até hoje, nada de gatinho preto pro meu lado. – e gritei para o céu – Lôran, seu maldito! – mas acho que ele não ouviu por conta do reboco do teto.
- Se Deus escutar vai pensar que falaste com Ele.
- Se Deus me ouvisse, se sentisse mesmo meu coração, não me deixava viver assim sem meu presente do amor.
- Ele escuta tudo, menino, tem calma!
- Menino, eu? Quem dera. E mais velho estou ficando na alma.
- Então deixa de reclamar da vida.
- Lôran só pode estar querendo testar meus sentimentos. Acha que não vou amar esse rapaz pela eternidade.
- Que história é essa de Lorân? Por Deus! Conversa mais sem nexo. Bebe para ficar falando besteira.
- Eu bebo para esquecer o que de fato existe. E Lôran é meu protetor celeste.
- Pois vou fechar, querido. Que Lôran te acompanhe...
- Tudo bem. Se não tem jeito... Vou com ele mesmo.

E acredite, um disco voador desceu céu e me deu carona.

29 maio 2012

[12] Pensamento

Houve um tempo em que as pessoas se respondiam, mesmo quando não se correspondiam. O mais estranho diálogo é sem dúvida o mudo e frio. O silêncio só fala por aqueles que não arriscam suas palavras para não ter que justifica-las.

22 maio 2012

[11] Pensamento

Vamos para Rússia, meu amor,
E chorar nossa alegria naquelas calçadas frias.
Derramar nossos segredos e contar boas mentiras.
Acordar os velhos ratos, vamos fugir com suas crias.
Pintar e declarar nossas cores na estranha torta poesia.
Falar do nosso amor, sim, vou escreve-lo nas paredes!
Mas olha nos meus olhos, me encara de frente
Vem... Vamos... Eu posso ser o teu melhor pesadelo.

13 maio 2012

10 Centavos Paga - Peça Teatral

Texto: 10 centavos paga
Autor: Jânio Cesar

Peça em 3 atos (A Lua, O Eclipse, O Sol)



Primeiro Ato - A Lua

Michelangelo (Mimi) está só em cena. Ele é um menino bonito e timido. Mal vestido e pobre.
O cenário que será montado durante sua fala como "terceiro personagem". È o velório de sua mãe.

Terceiro Personagem -
"Viver é um risco
Risco de cera
Risco de gente
Risco de sorte

(Entra dois funcionários da funerária pública com o corpo da mãe no caixão)

Sem obra em cena
Talvez fique para a morte
Um risco a  toda hora

(Entra um padre e faz uma oração)

Sem direção
Um risco de fé
Um risco tão incerto

(Mimi se dirije para o corpo da mãe)

Luta pelo corpo, pela mente
Luta que tem preço
É risco de escravidão
Um risco que vem com o tempo."

O padre sai enquanto Monique e Divina entram no velório. As duas não falam com o garoto, ele está apático e perdido, encostado no caixão. As mulheres são garotas de programa e estão vestidas de forma vulgar e inapropriada. São jovens adultas. Divina tem 18 anos, infantil e ingênua, usa uma peruca loira. Monique já está perto dos 30, tem personalidade irônica e é metida. São amigas de esquina.

Divina (carinhosa e sendo triste)- Coitadinho, olha a carinha dele, agora não tem ninguém! Só a Maria...

Monique (falando um pouco alto)- E Maria lá é ninguém na vida de alguém? Criatura ainda nem chegou.

 Mimi se assusta.

Divina - Monique, fala baixo, vai assustar mais o menino! Acho que vou lá dar um abraço nele.

Monique - Deixa de frescura mulher. Tá vendo que não tem jeito mesmo! Parece que nem pai tem, e a mãe, essa daí não dava nem para o começo da história... (com deboche) Viciada em craque.

Mimi abraça o corpo da mãe em solidão.

Entra Maria. Ela é uma quarentona desenformada e envelhecida, grossa e amarga, fala alto e gesticula muito. Veste-se de forma extravagante, cores vivas e bijuterias. Não fala com Mimi, se dirige as amigas.

Maria - Meu Deus, que desgraça! Como a vida é cruel, por quê? Ai meu deus, por que...

Monique - (interrompendo) E desde quando que tu lamenta perda de família! Cansou de dizer que se encontrasse um dia tua irmã tu mesmo matava. Roubou tudo da tua casa e fugiu grávida. Pois está ai nêga, a vida já fez o serviço!

Maria - Deixa de falar besteira que o assunto é sério! Não tem quem fique com o menino, e só da para deixar ele no juizado amanhã de manhã. Temos que ir trabalhar. Vou deixar ele aqui!

Divina -  Nãooo amiga! Sendo assim você não devia ir hoje... O enterro vai ser às 6 da manhã, não pode deixar o bichinho aqui sozinho. É seu sobrinho!

Maria - Cala a boca que tu não sabe o que fala! Se tá com pena fica com ele.

Divina - Mas ele nem me conhece... E parece tão tristinho.

Maria - E lá sabe quem eu sou? Nunca vi essa praga na vida! Quando a mãe dele fugiu tava grávida, deve ser esse ai. Ela não sabia nem que era o pai! Cretina viciada roubou tudo e me deixou na miséria, é culpa dela eu ter entrado nessa vida. Culpa dela! 13 anos nessa!

Divina - Vamos lá falar com ele.

Divina se aproxima do garoto e as duas acompanham.

Divina - Olá garotinho, tudo bem? (fala tentando alegrá-lo e aperta suas bochechas )

Monique - (com deboche e contando nos dedos) A mãe morreu, não tem pai, a Maria não quer ficar com ele. Tá tudo ótimo.

Divina - Como é seu nome?

Maria - (grossa) Mimi. Miquelangelo...

Divina - Quer que a tia Divina fique com você hoje à noite?

Monique - Agora já virou até tia.

Divina - Quer ficar para se despedir da mamãe?

Maria - Mamãe?? Quem cuidava dele era a vizinha! Ela tava ai e disse que ele não via a mãe a mais de um mês. Vai nem fazer falta!

Divina - Ta com fome?

Monique - E quem vai pagar? Você ou a Maria? Porque ela já ta me devendo mais de 200. (para Maria) É bom sacudir esse corpo hoje nega, vê se paga o que deve.

Divina - Não quer falar nada? O gato comeu a língua? (fala infantil e tentando animá-lo)

Maria - Vizinha disse que nunca ouviu ele falar uma palavra. Eu tentei empurrar ele pra ela, mas já tem cinco e um marido cachaceiro.


O menino fica triste.

Divina - Por que isso agora? Um rapazinho tão bonito assim ficando tristinho?

Monique - Rapaizinho... sei não... ele até parece que  é meio assim...

Divina - Amanhã você vai para um lugar bem bacana, vai encontrar um monte de irmãozinhos e vai ficar tudo bem!

Monique - Que tudo bem Divina? Desde quando orfanato é tudo bem?!

Maria - E até amanhã o que a gente vai fazer com essa praga? Já tá na hora de ir lá pro ponto. Se passar das nove a perua da rua São Paulo vai pegar o nosso. Vou ter que sair na tapa!

Divina - Porque a gente não leva ele e traz amanhã antes das 6? Assim pode se despedir da mamãe no enterro (apertando o nariz dele)

Mimi sorri para Divina e Maria o observa com um ar (duvidoso) de carinho (quase profundo) e depois fala afobada

Maria - Que enterrar defunto o que! Amanhã a gente leva ele lá pro juizado e pronto. (pega Mimi pelo braço e sai puxando o menino. Segue falando e as amigas acompanham) Eu tenho mais o que fazer, não tenho seus dezoito ano! E vocês duas vão indo logo para esquina 33 que eu vou passar em casa e tomar banho, tirar esse cheiro de morte em mim.


Maria, Divina e Monique saem de cena, levam Mimi, não reluta e se deixa levar. Mas os olhos ficam presos ao corpo da mãe. A luz vai caindo e apenas o caixão fica iluminado.
Entra Mimi como "terceiro personagem" e vai desesperado ao corpo.

Terceiro personagem -
"A ausência só mata quando
Definitivamente é necessária para poder ser
Quando em um minuto dói
Nos outros sabe-se que haverá agonia
E uma hora será um parto por um dia

A ausência só mata aqueles
Quando cavam no buraco da dor
Alargam o espaço e ainda ocupam outros
Colocam neste vazio uma ferida
E bebem do próprio sangue para adormecer


(Funcionários levam o corpo da mulher e quebram a despedida do garoto)

A ausência só mata exatamente
No instante que a cor volta
Depois que a porta abre e o silêncio escoa
No último suspiro dela sussurra
E vai embora para nunca mais voltar

(Mimi sai de cena)

Ai... ai a ausência mata mesmo!"

A luz cai por completo

Segundo Ato - O Eclipse

Divina e Monique estão na rua trabalhando como garotas de programa.

Monique - Hoje o movimento está tão fraco que nem a perua da rua São Paulo veio.

Divina - Acho que é esse eclipse, nunca vi uma noite tão escura. (olhando o céu boba)

Monique - Eu estou achando que o vereador vem hoje, semana passada nem sinal dele. Será que a mulher conseguiu amarrar ele na cama? Só a bobinha mesmo para pensar que ele fica na câmara até duas, três horas da manhã.

Divina - Rico, lindo, cheiroso. Ai que tentação de homem aquele pedaço de mau caminho.

Monique - Bota mau caminho nisso. Um fogo de homem!

Divina - Hoje vou ter uma noite daquelas, ele é tão selvagem.

Monique- Pode tirar o olho do meu vereador. Semana passada era você, se ele não veio certamente foi por isso, não consegue dar conta de um homem daquele.

Surge Maria puxando Mimi pelo braço, chega com uma roupa vulgar e jovem demais para sua idade e seu corpo.

Maria - Homem, que homem? Não botem os olhos no meu taxista. Já passou?

Monique (rindo) - “Tamo” é falando de homem de verdade! Aquele seu taxista é fim de carreira. Um homem mesmo nessa rua só passa o meu vereador.

Maria - Pois eu acho bom alguém aparecer hoje, já tó no vermelho e ainda tive que parar no bar do Ney pra comprar um lanche para essa praga e nem quis comer!

Divina (se dirigindo a Mimi) - Rapaizinho não está com fome?

Mimi balança a cabeça em negação.

Maria - E por que tu não disse imprestável! Assim não tinha comprado teu pastel! Agonia esse menino calado o tempo todo.

Divina - Será que ele é mudo?

Maria - Deixa de falar besteira, não tá vendo que o menino é burro! Não abre a boca porque não tem nada para falar.

Monique - Imagino! Família da Maria não deve ter escapado um. O menino já nasceu triste pela desgraça que é a vida dele.

Surge o vereador. Ele é galante e sensual, mas fala com cordialidade.

Vereador - Boa noite! Como estão minhas belas meninas?

Divina e Monique (sensuais) - Boa noite, vereador!

Divina (se jogando em um ombro do homem) - Vamos aproveitar o eclipse juntos?

Monique (se jogando no outro ombro do homem) - Coloquei a lingerie que o doutor me deu.

Divina (sussurrando no ouvido) - Hoje vai ser inesquecível!

Monique (sussurrando no outro ouvido) - Será a noite mais quente!

Divina - Vamos?

Monique - Me leva?

O vereador se desprende das garotas de programa e percebe a presença de Mimi.

Vereador - Trouxe o filho hoje pro trabalho, Dona Maria?

Maria - Vira essa boca pra lá que desgraça pega. Amanhã vou deixar isso lá no juizado. Não quero problema dos outros na minha vida.

Vereador (se dirigindo ao garoto e com um estranho interesse) - Não tem família o pobrezinho, estava perdido pela rua?

Divina (se jogando novamente no ombro) - A mãezinha dele morreu hoje, o bichinho não tem onde ficar. (abrindo dois botões da camisa do homem)

Vereador (ainda se dirigindo ao garoto) - Ele não tem mais ninguém?

Monique (se jogando no outro ombro) - Só Maria (passando a mão no peito do homem) Mas como a noite está fraca para ela, o dinheiro nunca vai dar.

O vereador se desvencilha novamente das duas e vai até Maria e lhe coloca a mão em seu ombro. Mas ainda olhando para o garoto.


Vereador - Dinheiro não é problema, Dona Maria. E para que servem os amigos?

Divina - Mas nós não temos nada.

Monique - E quem disse que Maria tem amigos?

Vereador (olha para Maria e com um grande ar de amizade) - E eu? E para que servem os bons políticos? Me diga, minha cara.

Maria (desconfiada) - O doutor pode ajudar?

Vereador (passando a mão no cabelo do garoto com carinho malicioso) - Talvez, talvez... Certo que sim, mas isso leva tempo. A senhora mesma sabe que tudo na política é devagar.

Maria - Mas meu problema é pra hoje. Se ficar com o garoto como vou trabalhar? E o pior, essa praga não fala nada.

Vereador - Então me deixe ajudar à senhora. Já esta cansada! Trabalhar duro todos esses anos não deve ter sido fácil. Façamos assim... A senhora pensa um pouco, veja o que acha. Veja se não estou certo? Poderei lhe garantir uma boa verba.

Monique - Uma boa verba?

Maria - Pensar em que?

Vereador - No menino! Posso leva-lo para brincar algumas noites com meus filhos e trazê-lo mais tarde. Será divertido (se dirigindo ao garoto).  Pense! Vou só entregar uns relatórios para um colega e volto para conversarmos melhor. A senhora entendeu, né?

Divina - Mas o doutor não está com saudades de mim?

Vereador - Muita, inclusive vim justamente por isso, aprovei um projeto e quero compartilhar as boas novas (puxa duas notas 50 da carteira e coloca entre seus seios e lhe beija o pescoço com muito calor) E você também minha morena (coloca mais 100 reais na calça de Monique e puxa o seu corpo abraçando com desejo)

Monique - Hoje vai levar as duas?

Vereador - E para minha batalhadora Dona Maria, aqui está uma ajuda para a senhora e seu novo filho ai. É pouco eu sei, mas já vai dar para os próximos dias! (puxa um volume de notas e coloca na mão de Maria. Dirigi o corpo pra lhe dar um abraço formal, mas desiste e lhe da um beijo no rosto. Ela fica sem jeito, pois o homem nunca havia se quer lhe tocado a mão, ela lhe lança um olhar de dúvida e o político, meio sem jeito, lhe da um beijo na boca).

Divina - As três? O senhor está tão quente assim hoje? O eclipse deve ter deixado o doutor alterado.

Vereador - Muito minha Divina, demais. Mas infelizmente hoje tenho muito trabalho para fazer ainda na câmara, é uma noite daquelas lá, muitas votações estão acontecendo. Agora preciso providenciar outra coisa, mas volto rápido para falarmos do garoto, quem sabe tomamos até um sorvete! (pisca o olho para o garoto e vai saindo) Boa noite, meninas!

Divina e Monique (sensuais) - Boa noite, doutor!

Vereador sai.

Divina - Hoje o vereador está nos seus melhores dias.

Maria (contando o dinheiro, um pouco chocada, mas feliz) Ora veja, o doutor me deu mil!

Divina e Monique - Mil?

Maria - É claro que isso não paga ainda tudo que tua mãe me roubou um dia, garoto, mas já vai dar para me tirar do prego agora! Sendo assim acho que vai ser uma boa você ficar lá em casa, vou fazer esse sacrifício por você.

Mimi se assusta e se afasta.

Maria (grossa) - O que foi agora?

O menino está assustado. O vereador surge e o assusta mais ainda.  Só o garoto percebe a presença do político que olha fixo para ele, as três mulheres são surpreendidas pela fala dele.


Vereador – Voltei! (assusta as três pelo tom da voz)

Divina e Monique - Doutor!??


Maria - Mas já???

Vereador - Pensando bem, vou deixar para entregar esses documentos outro dia. Vou aproveitar que ainda estou aqui para levar o garotinho para passear, (se vira para Maria) Dona Maria, preciso conversar um pouco com a senhora sobre essas ajudas de custo que poderei disponibilizar para ajudar o garoto.

O vereador está diferente, agressivo no tom das palavras. Vai com Maria para o canto de cena e conversam mudos. A expressão de Maria vai mudando no decorrer da conversa. Ela vai ficando abatida. Eles param de falar, devagar Maria volta e pega o menino pelo braço e leva ao político. Mimi reluta em ir com a mulher até ser entregue ao homem que lhe pega pelo ombro. Mimi vai assustado.


(A luz cai totalmente)

Terceiro ato - O Sol

A luz está em Mimi como terceiro personagem na cena, ele tira a blusa e coloca um sutiã enquanto vai falando.


Terceiro personagem -

(Ahh...)

"Ei, vai dois copos d'água
Ah? Ohh..., o estranho paraíso
Eu não sei onde estou...!"

(silêncio)

(Divina e Monique se iluminam em cena e se posicionam na esquina 33).

"Estranho...
Que horas são?
Que tempo é esse?
O que é isso?"

(Ohh...)

"Ahh!!! Voltei
O que foi isso?!
Voltei?? Estranho...
Que??!"

(silêncio)

(Mimi puxa um batom vermelho vibrante e passa nos lábios.)
(Huumm...)

"Uma maçã...!
Estranho, mas doce o paraíso!"
Mimi sai de cena como um vulto imperceptível.

Divina - Hoje a noite está das piores, só pode ser o eclipse, nunca vi um que durasse tanto. Já são quase três da manhã e o céu continua o mesmo. Curioso, né? Olhando assim, parece até que a lua morreu sobre o sol. Não acha Maria?

Maria está calada e parece não prestar muita atenção, apesar de estar com o olhar imóvel sobre Divina.

Divina - Se não fosse o vereador que passou para compartilhar o sucesso de seus projetos aprovados, seria uma noite perdida.

Maria continua calada e Divina observa.

Divina - Você está assim há horas, desde que o doutor levou o Mimi. Devia estar feliz, acho que vai sempre te ajudar a cuidar do menino.

Um silêncio

Divina - Não vai dizer que você se afeiçoou a ele? (vai até Maria e age carinhosamente de forma infantil)

Maria (de uma vez espantando a amiga) - Para com isso, Divina! Me deixa em paz, pessoa mais irritante!

Divina - Que foi? Você acha que o doutor vai querer adotar o Mimi? Mas isso é bom amiga! Assim o menino vai poder ter um futuro bom, sei que é sua família, mas...

Maria - Que família o que, cala a boca! (pausa) O doutor está demorando, né?

Divina - Deve ter levado o Mimi para conhecer a mulher e os filhos, quem sabe ele até fique para dormir lá. O doutor disse que horas ia trazer ele de volta?

Maria olha Divina e fica calada, depois se vira e muda de assunto.

Maria - Hoje a noite só está boa para Monique, já está no terceiro.

Divina - E para tu também mulher, vai dizer que ia conseguir juntar mil contos dando só pra taxista e pro seu Jomar?

Maria (com raiva) - Eu não tenho mais seus 18 anos não, ô lora! Tenho que pensar um pouco em mim, na minha velhice.

Divina - E eu não estou falando isso mesmo? É porque hoje você tá atacada mesmo.

Maria - Não fala besteira Divina, que tudo tem um preço, que essa vida não da nada de graça para quem é pobre.

Divina - Eu não vou dizer mais nada (olha para o fim da esquina e vê Mimi) Olha ali mulher, parece que é o Mimi, será? É ele sim, parece que está machucado? Vamos lá pegar ele (e se dirige ao garoto e Maria fica esperando) Mas esse doutor só pode ter errado de esquina, que estranho...

Divina fica horrorizada ao ver o estado que está Mimi, com a boca borrada e suja de batom, um sutiã no peito, dolorido em seu quadril. Anda com dificuldade.

Divina - Polícia!!

Maria dá um pulo e corre até os dois. Usa sua mão para tapar a boca de Divina.

Maria - Tá doida! Tá querendo arrumar problema? Tem medo do perigo não?

Divina - Maria, alguém abusou do Michelangelo, é um garoto, precisamos chamar a polícia! Vereador deve ter deixado ele em outra esquina e alguém fez essa maldade com o menino.

Maria - Para de falar besteira e deixa de ser inocente, ou vai dizer que não entendeu porque o doutor me deu mil? Ele tava comprando o garoto.

Divina - O doutor!??? (abraça o garoto) Logo o doutor. Ele poderia ter matado o Mimi! Isso é crime! E você vendeu? Coitado! Já não lhe basta à desgraça que é a vida e você quer lhe tirar a dignidade.

Maria - O que você queria que eu fizesse? Já tinha dado o dinheiro, fiquei sem jeito de devolver. E outra coisa, estava agora mesmo pensando e vou despachar o menino pro juizado.

Divina (Desesperada) - Criminosa! Vou levar o garoto comigo, eu é que vou entrega-lo ao juiz...

Maria - Mas você não pode dizer nada! Se disser eu vou contar que o vereador lhe deu dinheiro também. Que estava querendo calar sua boca.

Divina - Eu não quero, sou honesta (pega o dinheiro do bolso e joga no chão), não fiz nada, pode ficar para você. Mas o Mimi vem comigo.

Maria parte para cima de Divina e puxa o garoto que cai no chão, ela ataca a loira e lhe agride com força.  Puxa o cabelo e lhe tira a peruca que cai na cena.

Divina (enquanto sai de cena com medo de Maria) - Eu vou contar para a polícia!

Maria percebe o dinheiro no chão e vai juntar, empurra o garoto para melhor apanhar as notas.

Maria - Praga, você na minha vida, praga você e sua mãe! Já não bastava tudo e ela me joga um encosto desses nas costas. Amanhã eu vou te deixar lá na porta do juizado e você faz o resto, se vira! Mas não bota meu nome na tua vida ou você vai ver!

Continua juntando o dinheiro e coloca com o seu que estava no seu sutiã.  Do público surge caminhando um homem mal encarado que vê o dinheiro que Maria está guardando. Ele lhe aborda com uma faca.

Assaltante - Passa a grana coroa! Vai rápido porque por bem menos eu já tinha te dado duas facadas e te deixava morta aí no chão. (Maria não entrega o dinheiro, o homem puxa e a empurra no chão. Sai correndo).

Maria caída procura mais alguma nota no chão, mas não restou nada. Cai no choro. Olha ao redor e vê o
garoto, se levanta e lhe dá uma tapa no rosto.

Maria – Por que não fez nada? Não é homem não? Devia ter partido para cima dele, mas fica ai como uma garota. Era nosso dinheiro, e agora, vai fazer o que? Não tem mais doutor para ajeitar nossa vida não. (senta no chão próximo ao garoto) Por que não abriu a boca e disse para Divina não ir à polícia? Fica ai calado! Não tá vendo tudo que fiz por você e é assim que devolve? Seu ingrato!

O menino fica calado, não está mais tão assustado e coloca a mão sobre a perna de Maria.

Maria (encarando o Mimi) Eu devia te deixar aqui na rua.

O menino tira a mão e lhe olha pedindo piedade, uma buzina quebra o momento e desvia o olhar de Maria. É o taxista chegando. Ela se levanta arrumando a roupa e o cabelo, depois empurra o garoto com o pé.

Maria - Anda, sai do meio que é o taxista, vou tentar garantir pelo menos o de hoje. Anda, sai do meio, vai querer dormir na rua?

Ele se afasta e deixa espaço para Maria se exibir para o taxista, mas ela está bastante cansada e abatida.

Taxista - A noite foi cheia, hem! Dona Maria? Pelo visto já estava indo para casa.

Maria - Hoje não teve ninguém, fiquei esperando só você.

Taxista – É?? Dona Maria, mas acho melhor passar só amanhã, a senhora está tão cansada... Hoje o dia também não foi bom lá no meu posto, o pessoal tava dizendo que é o eclipse, já é quase 6 da manhã e só agora está terminando.

Maria - Mas quanto o senhor tem? Nós podemos fazer por qualquer coisa!

Taxista - Não dona Maria, lhe pagar meus 20 contos não vai compensar...

Maria - Mas eu topo.

Taxista - Eu sei, mas vamos deixar para outro dia (vê Mimi no chão). Ora dona Maria, mas a senhora não disse que estava agenciando uma garotinha.

Maria (abusada) - Não é uma garotinha e acho melhor não! Essa praga já me causou muitos problemas.

Taxista - Ahhh, mas que pena, quem sabe amanhã não lhe apareço com mais 50...

Maria - Não está mais a venda! Já disse!

Taxista - Está bem, mas seria um bom negócio para a senhora...

O homem vai saindo e Maria se vira para Mimi.

Maria - Imprestável, por que não fala nada? Não faz nada?

O menino se assusta e levanta, pega a peruca de divina e põe na cabeça, vai até o homem e puxa o dinheiro do bolso e entrega para Maria. Segura a mão do taxista e faz sinal com a cabeça para seguirem.

Maria observa.

Taxista - Então vamos! Não é que a mocinha aqui tem atitude, essa tem futuro Dona Maria (e vai levando o garoto).

Maria - Espere!!

Eles se viram e esperam a mulher falar.

Maria - Espere... (pausa)... Acho que seria melhor se... (pausa ) Eu vou com vocês! Ai você aproveita e me deixa na pousada da Margo. Quando terminar com o garoto leva ele pra lá.

Maria tira a mão do garoto e coloca a sua no lugar e puxa a saída. O taxista para e acende um cigarro.

Taxista - A garotinha fuma?

Mimi (Olha profundamente para o homem que lhe oferece um cigarro) - Fumo

O Homem acende o cigarro de Mimi e vai seguindo na frente com Maria. Os dois saem de cena.

 Mimi fica só e assume a função de terceiro personagem.

Terceiro personagem -
"A arte está intimamente ligada aos sentimentos,
diretamente a dor deles.
É vista por olhos cansados,
remoídos de cima a baixo
seguidos de segundos."

(Dois funcionários da funerária pública trazem o corpo da mãe do garoto em uma grande caixa de isopor com gelo. Os braços, pernas e cabeça do cadáver são visíveis e estão para fora)

"Passados pelo o que se vê,
inconformados, é o que tem para ver...
Isso que lhes falo não é arte,
que nada, faz é pena."

(Surge o padre que celebra uma oração muda e os dois funcionários assistem e se despedem da mulher)

"Era sim o momento que vi,
o que a vida fez
ou o que ele fez com a vida.
Sei lá, deixa para lá.
Será?
Muda o que no quem fez com quem?
Aquilo foi arte,
e foi a obra que Michelangelo não fez.
10 centavos paga."


(A luz cai totalmente, todos saem de cena)


[10] Pensamento

"Hoje a noite vou colocar minhas velhas asas nas costas para viajar pelos sonhos inventados. Vou fazer uma parada no teu abraço, seguir pelo teu carinho, vou beber da fonte que nos achamos, juntar os pedaços que você me deu e pendurar nas estrelas. Ver tudo que eu fantasiei na minha cabeça e que só nela ficou. Revirar todo o sonho e beber do teu veneno depois."

[Jânio César, para G.]

[09] Pensamento

"Já perdi abrigo no céu e no inferno infinitas vezes, entrei e saí deixando as portas abertas para quem quisesse passar e levar o escroto. Nunca tive medo do profano ou do divino, recorri a eles todas as vezes que senti alegria, medo e sede.
Outro dia, verti minha alma para o primeiro viajante cristão que vi passar para o norte, entre os tantos, e substitui pela verdadeira expressão de agonia dos que aqui vagam como se vivessem, como se tudo fosse apenas isso... E é."


[Jânio César]

18 janeiro 2012

Vamos celebrar a vida!



A morte é o extremo desapego a matéria, ao cruza-la levamos apenas o nosso pensar e passamos a viver o estado de "sonho noturno" contínuo. Mergulha-se assim nas fantasias possíveis e prováveis do pensamento individual e se perde a surpreendente habilidade da vida de nos surpreender com a ação externa.


Não se pode deixar um sonho sem cor. Sim, eu sei, sou louco... e na minha loucura o sentimento mais racional ainda é a pela vida, pois ela me faz torto assim...


Por isso vamos celebrar a vida! Façamos com amor e arte!





25 abril 2011

[08] Pensamento


"Agora vou jogar um novo pensamento no ar, alguns sentirão, outros apenas escutarão passar. Assim é a vida, pior é a arte. Quem não vive não sente"

[Jânio César]

[07] Pensamento


"Vai pelo ar um trevo de duas pontas, puxe uma e a outra deixe a brisa levar. Seremos então três pontas de um único sopro, ou apenas seremos e nada mais."

[Jânio César]

21 abril 2011

[06] Pensamento


"A minha insanidade não vem precisamente da visão incoerente do óbvio, é o desejo quase vulgar de vivê-la."

[Jânio César]

28 março 2011

[05] Pensamento



"Sim, eu acredito no amor incondicional, sei que existe, mas não é de hoje que está perdido, não foi agora que ficou extinto. Foi esquecido e vulgarmente trocado pelos interesses, substituído por uma duvidosa idéia de sentimento."

[Jânio César]

23 março 2011

[04] Pensamento


"Quero usar essa última inspiração antes que o desejo se vá e meus pensamentos fiquem mudos e frios, sem saber o doce sabor das palavras."

[Jânio César]

[03] Pensamento



"Não sei o que pensar da vida, das pessoas ou mesmo de mim. Não pela mente vazia, mas pelas infinitas e diferentes idéias vazias de sentido."

[Jânio César]

02 agosto 2010

Amor Incondicional, Existe?

O amor é sentimento que faz parte da natureza das energias, senti-lo é inevitável, vive-lo é mais que uma escolha, é acreditar.



Poucos dias um amigo muito querido, meu avô, fez um comentário realmente maldoso sobre mim, ácido e gratuito, devagar e feroz, mesquinho e desnecessário. Quando recebi a mensagem, foi mais que uma grande dor de cabeça, foi absorvida pela alma, abafada no coração. No mesmo instante lembrei muito de uma declaração de amizade dele, quando mais de uma vez me falou que eu era um grande amigo, que o escutava, apreciava e o queria bem, como poucos, conhecia sua vida e partilhava dela.

Desse momento até este texto, refleti muito sobre o amor, sobre a vida e a ferida. Silenciosamente decidi, não perdôo, não consigo e não quero. Conversando com minha mãe, me explicou sobre a leveza do amor incondicional, de aceitarmos as pessoas como são, amar pelo que se é, e não buscar compreensão.

Meditando com Deus, lamentei a natureza humana, não só a dele, mas a minha. Tentando entender porque não estava recebendo o amor incondicional, percebi que também não estava sendo capaz de fazê-lo, de forma natural e clara, vi o amor que somos capazes de dar e sentir na matéria. Pode ficar tão denso, que nem sempre atravessa o coração.

Sim, eu acredito no amor incondicional, sei que existe, mas não é de hoje que está perdido, não foi agora que ficou extinto. Foi esquecido e vulgarmente trocado pelos interesses, substituído por uma duvidosa idéia de sentimento.




05 junho 2010

Até onde somos responsáveis pela felicidade nossa e dos outros?

Coluna: Palavras do Hippie


Felicidade é um estado de espírito, e como toda emoção podemos transmiti-la mesmo contra nossa vontade. Partilhar boas energias não é um determinante evolutivo, mas emitir cargas negativas é uma culpa passiva.

Quando um ambiente familiar, profissional, afetivo, etc, se expõe a uma vibração baixa, impedir que todos compartilhem os fluidos é uma tarefa restrita e cansativa, porém não ser receptor do momento é uma obrigação pessoal e uma contribuição social.

Veja bem, nenhuma sensação ou emoção é inicialmente gerada pela natureza humana, somos apenas um 'meio de materialização' diante da nossa vontade pessoal de absorver a energia. Assim como o vento, água, fogo, luz e outras manifestações naturais de vida, o amor, ódio, esperança (fé), alegria e tristeza são manifestações naturais de energia, que constantemente 'enamoram' nossa energia vital.

Conclusão, devemos estar atentos aos nossos sentidos, pensamentos e atitudes. Certamente devemos trabalhar nossas emoções antes de desejar interferir nas emoções dos outros, mesmo que seja para o 'bem'.