09 janeiro 2014

A CAMISA E O CABIDE



Zé, Zé.
Como posso te explicar o que você não viveu?
Compreender o novo,
simplificar e fazer disto minha verdade?
Prever um dia em tons claros,
se ontem, outra noite, choveu vermelhos de Paris?

Zé, Zé.
Como vou olhar para frente,
se você tem outro na rua ao lado?
Por que ainda ser tão intenso,
se teu próprio silêncio respirou um calor fugaz?
Querer dizer sim, se de longe foi só um sorteio de ilusão?

Zé, Zé.
Não é uma despedida, pois o tempo,
De tão denso, abraça e envolve.
Não é um convite, você até sabe voar,
mas consegue tirar comigo os pés do chão?
Se não for assim não espero, não quero, eu sigo.

Só sabendo que, estranhamente, sua camisa é o número do meu cabide.

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