Francisca não é como a gente,
Francisca é bicho sem mato,
Dormia mais quatro,
num quadrado sem quarto.
E lá fazia de tudo.
Comida, filho, costura,
cafuné...
Foi pai, é mãe, três filhos
e tudo que for preciso.
Vez no dia, arruma um tempo
para sonhar,
senta no sofá para assistir a
mesma despedida
da boa mocinha com o seu
Marcelo Jarará.
Aí, um dia, o metrô chegou.
Francisca rezou de dia e de
noite, rezou e rezou.
Mas mesmo assim o metrô
passou.
Abriu-se tudo e Francisca
sobrou.
E com um dinheiro miado,
se mudou com mola e colchão
para o buraco do irmão.
Agora é Francisca e mais
sete,
e a vida não parou não.
Toda noite o dia veio, se fez
ao avesso,
com terço ou sem terço,
Francisca não reclamou. Só o
Metrofor parou.
Quem lhe ensinou foi a vida,
a moça bandida,
a mesma que casou com o seu
Marcelo-Doutor.
Como eu ia dizendo...
Francisca não é como a gente,
Francisca é que é gente!

1 comentários:
Linda poesia. Parabéns!
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