09 janeiro 2014

A TV, O COLCHÃO, O SOFÁ E TRÊS DOUTOR



Francisca não é como a gente,
 Francisca é bicho sem mato,
Dormia mais quatro,
num quadrado sem quarto.
E lá fazia de tudo.
Comida, filho, costura, cafuné...
Foi pai, é mãe, três filhos
e tudo que for preciso.
Vez no dia, arruma um tempo para sonhar,
senta no sofá para assistir a mesma despedida
da boa mocinha com o seu Marcelo Jarará.

Aí, um dia, o metrô chegou.
Francisca rezou de dia e de noite, rezou e rezou.
Mas mesmo assim o metrô passou.
Abriu-se tudo e Francisca sobrou.
E com um dinheiro miado,
se mudou com mola e colchão para o buraco do irmão.
Agora é Francisca e mais sete,
e a vida não parou não.
Toda noite o dia veio, se fez ao avesso,
com terço ou sem terço,
Francisca não reclamou. Só o Metrofor parou.

Quem lhe ensinou foi a vida, a moça bandida,
a mesma que casou com o seu Marcelo-Doutor.

Como eu ia dizendo...
Francisca não é como a gente,

Francisca é que é gente!

1 comentários:

Cris disse...

Linda poesia. Parabéns!

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